terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

LETARGIA

Eu já te vi aí atrás daquela árvore e 
mesmo que nao a visse, eu já havia sentido seu perfume,
estava perto, eu subia devagar, não queria assustá-la
parecia uma figuração qualquer de um dia de chuva,
as gotas escorriam, lavando a  alma
como será que você se sentia?
Era simples, mas eu nunca entenderia
milhões de coisas se passavam na minha cabeça, eu não sabia
a densidade do momento se acentuou
a noite vinha caindo devagar, eu precisava descer,
mas queria te levar comigo
você parecia se afastar
era uma saturação de feridas, rancores, desentendimentos
Tudo me levava para você
Para onde me levava?
Depois de chegar ao topo, era a hora de descer...
Mas que horas eram?
Acabou tudo, você sumiu
Aonde eu estava?
Não sabia e nem queria voltar
Vi você cair
Queria poder te levantar, mas já era tarde
Muito tarde
Eu virei de costas, olhei para as árvores
Não havia mais brilho
A escuridão se apossou de nós
Voltei para o princípio
Foi só mais uma anunciação da noite
Minha cabeça estava rodando
Tomei um remédio para dor de cabeça e voltei a dormir

3 comentários:

Paulo Fernando disse...

Início, meio e fim, como uma boa obra deve ser. Gostei do poema como um todo, sobretudo da naturalidade do desfecho.

Marcela' disse...

Normalmente parece que é a noite que assombra as pessoas com pensamentos, sentimentos que vem do nada, lembranças esquecidas.. Mas acho que o dia deve assustar mais.. a noite ainda a gente se socorre num novo sono..
baaci e obrigada pela visita !
:*

Amanda Goulart: A Liberdade pelas mãos do Jornalismo disse...

Voce me viu?