quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Terceira CONFISSÃO

Não tenho que entender tudo o que se passa
mas chega um tempo em que a corrosão da alma
é visível
É uma calamidade
Transtornos, brigas, chingamentos
Nunca fui o auge de tudo isso
Tinha apatia por beleza de mais,
O que é belo traz infelicidade
Busquei tanto o oposto que todos os opostos
me convenceram do contrário
Não queria escrever tanto sobre um mesmo assunto
porém sinto que há uma regeneração de feridas antigas
Há um vazio tão grande do lado de dentro
que não sinto tanto.
Tive medo.
Essa serenidade que se apossou de mim de modo tão ágil
é possessivamente desconexa
Trago junto à mim um pedaço de eus, como outros
Foram tantas partes que me emprestaram
que não me lembro mais de como eu sou
Quis tanto ser o que sempre fui, que terminei mudando
Peguei olhos, bocas e asfaltos, todos sem prévia devolução
Tenho uma dívida com a vida e com eles
Todos os que passaram por mim e por minha vida em chamas
Estou pregada no mesmo lugar
nessa mesma esquina de todos os dias
observando o tempo passar
Querendo fazer tudo diferente
mas morrendo por dentro, com apertos consideráveis
e loucuras vindo à tona
Como intervir em uma história que não posso mais controlar?
Pensei que terminando seria definitivo,
mas todas as antigas convicções caíram por terra
Não sou mais eu como era antes
Não tão forte, nem decidida
Decididamente inquieta e pensativa
Quero a arte, quero o presságio da loucura
Quero ser eu, ser eu sozinha
Envolvimentos são caóticos
Não consigo, nem pretendo querer
O entendimento da vida, das pessoas, das almas
Uma vontade deslumbrada, um epílogo no meio de um livro
É uma desorientação frustrada que vem se apossando
de cada parte do meu pensar
Quero viver, e não sei ser livre
Quero ser livre, sem saber como viver
Parece que eu me afundei em trevas
E minha cabeça já não está no mesmo lugar
Percebo tantas diferenças e tão poucas
divagações
Não é possível estagnar, enquanto todos
estão correndo, todos estão fugindo de si mesmos
Não estou fugindo de mim, acabei fugindo do que fui
sem querer, perdi partes importantes
Perdi muito
Estou me recompondo do ponto em que parei
Não vou voltar naquela parte posterior
não sou mais eu,
Ontem fui, Hoje sou
E quem sabe o que serei semana que vem?

3 comentários:

Marcela' disse...

Texto cheio de partes lindas, e lindo como conjunto também !
'Como intervir em uma história que não posso mais controlar?' :)
Baci!

Amanda Goulart: Jornalismo em tempo real disse...

Um epílogo no meio de um livro... Imagina que confusão!!
Nossa cara que lindo! De verdade.
Seja Luz... As vezes vc é, mas ás vezes não enxerga nos outros.

Taynara disse...

Ela, dona de tenaz precisão
Escreve minúcias
E nada escapa neste momento
Essa nuvem estacionada sobre nós
Carregada...
Vai além do que se pode ver
E o sol continua a brilhar em todos os instantes
Deixe que a luz invada teu espírito
e assim, siga...
Vá ao teu encontro!