quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Preto Escarlate

Ela andava numa marcha só, cabisbaixa, serena. Olhava pelos cantos às vezes, para ter certeza que ninguém a seguia, contemplava a paisagem: as folhas secas, as árvores espaçadas, o céu escuro.
A menina dos negros olhos e dos cabelos vermelhos.
Via nela toda a segurança e a incerteza que jamais enxergara em nenhuma outra pessoa.
Ela chamou minha atenção desde o primeiro instante, quando sorriu e focou seus olhos brilhantes e reluzentes nos meus.
Busquei no fundo deles todas as respostas as quais não tenho até hoje.
Ela possuía um ar penetrante, um íma que me conduzia em sua direção.
Havia alguma coisa que eu não podia entender, algo que ninguém imaginara.
Eu precisava descobrir o que era.Ela me magnetizou por alguns instantes e continuou sua caminhada, para ela eu era apenas mais um qualquer.
Mais um que nunca a compreenderia.
Resolvi segui-la. Precisava saber mais sobre ela.
Minha curiosidade poderia ter acabado comigo, mas eu não me importava.
Ela percebeu que eu continuava andando para alcança-la e resolveu parar.
Esperou que eu me aproximasse e mais uma vez olhou fixamente dentro dos meus olhos, eu me senti nu naquele momento, como se ela pudesse ver dentro da minha alma, como se ela percebesse cada medo que eu escondia.
Ela não disse nada. E quanto mais ela me olhava, mais eu me sentia seduzido. Sentia-a cada vez mais perto.
Queria tocá-la e nesse momento ela virou as costas e continuou andando. Continuei seguindo-a e quando chegamos próximos à uma ponte, ela disse-me que parasse por aqui. Sua voz era penetrante, assim como seus olhos. Eu ouvia o que dizia mas não conseguia assimilar nada. Percebendo isso, ela começou a andar rumo ao meu encontro, meu coração disparou, tocou minha pele, eu fechei os olhos e ela então sussurrou algo incompreensível no meu ouvido. Eu não podia deixar que fosse embora. Mas quando pensei em segurá-la ela já havia desaparecido. Não sabia seu nome, nem seu endereço, gritei incontrolavelmente por alguns minutos e em seguida fui para casa com sombras de pensamentos vazios e sua imagem refletida em minha lembrança.

4 comentários:

i ILÓGICO disse...

já tive uma visão assim...
estranho né?
beijos!

renata carneiro disse...

p.s: é verdade, a gente insiste em não soprar o cisco dos olhos e por isso, enxergamos as coisas mais complexas que realmente são. é que a gente esquece que a felicidade mora nas coisas mais simples.

-
curiosidade sempre se desperta tão facilmente, né?


brigada pela visita, volte sempre mais!

beijo.

Arlequim disse...

uau!
Intenso!
Gostei bastante. rs
Muito bom.
Valeu pela visita no blog. ;)

beeijão

RENATA MARIA PARREIRA CORDEIRO disse...

Volto para ler melhor, estou chorando.
Maravilhosa!!!
+ * sempre com vc * +
Beijos Renata