quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Flor da Saudade

No mesmo canto,
observando tudo,
na sacada,
do alto,
de cima do muro.
Surreal,
saber que não estou sozinho dentro de mim.
Do lado de fora ouço os gritos abafados,
ouço o som dos carros,
as pessoas conversando.
Vejo a vida passar.
O céu se encerra sobre minha cabeça,
o tempo se fecha,
chove,
fecho a porta,
um número,
aquele mesmo de tanto tempo,
a mesma casa, na mesma rua,
o mesmo sentimento.
A vida se move do lado de fora,
enquanto eu me fecho aqui dentro.
As ruas mudam de lugar,
as palavras doces,
o coração fechado,
a alma que sangra,
um cigarro.
Vejo de longe,
através da fumaça,
seus olhos acesos,
Estou na sacada,
te esperando.
Mas você não vem,
por que você não passa?
Esqueci que você não sabe meu endereço,
mas eu espero,
estou na sacada olhando para você,
mas você nem nota,
Você não sabe que sou eu,
Paciência,
Ainda conserto tudo,
a curiosidade se expande,
Será que ela não sabe?
A rua,
a sacada,
a Flor da Saudade.

3 comentários:

Cristiano Contreiras disse...

Quanta sensibilidade e beleza poética por aqui! já te sigo, ta? abs

Ocean disse...

"estou na sacada olhando para você,
mas você nem nota".....
às vezes ser observado é algo enlouquecedor
o olhar das pessoas funciona muitas vezes como uma seringa a tirar o nosso sangue, é como uma furadeira a perfurar nossas costas e chegando ao pulmão em um raio de segundo
a ansiedade desse texto é muito legal, esperamos alguém q muitas vezes não sabe onde nos encontramos, esperamos alguém q não existe, esperamos alguém q já se foi
silenciosamente
a flor da saudade deve ser branca como gelo

darsh. disse...

parece letra de música :)