terça-feira, 28 de julho de 2009

Sem Janelas

Escrevo no vento as linhas que ainda emanam dos teus olhos; Recebi sua carta depois de muito tempo. Ainda me lembro das últimas palavras, do último sussurro: "Sempre que passar nesse lugar me lembrarei desse beijo."
Eu, que nunca mais passara lá, continuo lembrando com exatidão daqueles últimos momentos em que te amava. Depois daqueles instantes restou em mim o sofrimento e a certeza de que não esqueceria.
A fé que tinha em você e em tuas palavras era grande, mas esta foi se desfazendo aos poucos, através de tuas atitudes inseguras e inesperadas.
Não sei por que resolvi me lembrar, mas você às vezes volta para tentar consertar o passado, mesmo sabendo que às vezes ele não teria conserto. A janela dos fundos ouviu meu coração pulsar quando gritou meu nome. Você que nunca sentou no sofá da minha sala e que nem pôde ver a bagunça do meu quarto. Você que nunca provou viver ao meu lado. Você que morreu antes mesmo daquele último segundo, antes mesmo de ter voltado seu olhar em minha direção.
Entrei naquele ônibus que eu nem sabia para onde iria me levar, paguei a passagem segurando o choro, sentei à janela para esquecer, e tudo o que fiz foi lembrar de tudo. Desci alguns pontos depois e entrei em outro ônibus que ia em sentido contrário, cheguei ao ponto de partida com a cabeça no seu mundo. Voltei para casa pensando na desculpa para chegar mais cedo. Falei o essencial, escondi como sempre a minha angústia. Foram meses de incompreensão, até que algo mudou.
Tudo se deu quando abri as janelas para olhar o mundo lá fora, vi assim que era fácil se manter nesse jogo, eu mesma nunca me cansaria se fosse eu no lugar dele, vi que tudo era fácil quando não se tinha coração, foi por isso mesmo que acabei perdendo o meu.

Um comentário:

i ILÓGICO disse...

nayaraaaaaaaaaaaaaaaaa